
INTRODUÇÃO
A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal de origem desconhecida, caracterizada pelo acometimento segmentar, assimétrico e transmural de qualquer porção do tubo digestivo, da boca ao ânus. Apresenta-se sob três formas principais: inflamatória, fistulosa e fibroestenosante. Os segmentos do tubo digestivo mais acometidos são íleo, cólon e região perianal. Além das manifestações no sistema digestório, a DC pode ter manifestações extraintestinais, sendo as mais frequentes as oftalmológicas, dermatológicas e reumatológicas.
CID-10
- K50.0 Doença de Crohn do intestino delgado
- K50.1 Doença de Crohn do intestino grosso
- K50.8 Outra forma de doença de Crohn
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico pode ser difícil devido à heterogeneidade das manifestações e à sua sobreposição com as da retocolite ulcerativa, bem como a ausência ocasional de sintomas gastrointestinais relevantes. O sintoma mais comum no momento do diagnóstico é diarreia, seguida por sangramento (40%-50%), perda de peso (60%) e dor abdominal (70%). Os sinais mais comuns são febre, palidez, caquexia, massas abdominais, fístulas e fissuras perianais. Mais de 6 semanas de diarreia é o prazo sugerido como critério para diferenciação com diarreia aguda infecciosa. Nos exames de tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM), os achados mais característicos são acometimento do intestino delgado e presença de fístulas. A endoscopia digestiva baixa (colonoscopia) com duas biópsias de cinco sítios distintos, incluindo o íleo, é o método preferencial para o diagnóstico e revela tipicamente lesões ulceradas, entremeadas de áreas com mucosa normal, acometimento focal, assimétrico e descontínuo. O exame histopatológico pode indicar acometimento transmural (quando da análise de ressecções cirúrgicas), padrão segmentar e presença de granulomas não caseosos. A avaliação da extensão da doença e comprometimento do intestino delgado proximal é importante, pois influenciará na conduta terapêutica e no seguimento do paciente. Radiografia de trânsito de delgado, ou tomografia computadorizada enteral (TC enteral) ou ressonância magnética enteral (RM enteral) podem ser indicadas, se disponíveis. Exames laboratoriais como elevação de proteína C-reativa e velocidade de hemossedimentação também auxiliam na definição diagnóstica.
TRATAMENTO
O tratamento da DC é complexo, exigindo habilidades clínicas e cirúrgicas em algumas situações. O tratamento clínico é feito com aminossalicilatos, corticosteroides, antibióticos e imunossupressores, e objetiva a indução da remissão clínica, melhora da qualidade de vida e, após, manutenção da remissão. O tratamento cirúrgico é necessário para tratar obstruções, complicações supurativas e doença refratária ao tratamento medicamentoso. O tratamento da DC é definido segundo a localização da doença, o grau de atividade e as complicações. As opções são individualizadas de acordo com a resposta sintomática e a tolerância ao tratamento. Sulfassalazina, mesalazina e antibióticos não têm ação uniforme ao longo do trato gastrointestinal, enquanto corticosteroides, imunossupressores e terapias anti-TNF parecem ter uma ação mais constante em todos os segmentos gastrointestinais. Inexiste na literatura estudo clínico randomizado (ECR) que tenha avaliado a eficácia de terapia nutricional em adultos.
FÁRMACOS E ESQUEMA DE ADMINISTRAÇÃO do PCDT da DOENÇA DE CROHN:
- Sulfassalazina: comprimido de 500 mg; 2 a 4 comprimidos, VO, 8/8 horas, após as refeições.
- Mesalazina: comprimido de 400, 500 e 800 mg; 4 g/dia, VO, divididos de 6/6, 8/8 ou 12/12 horas.
- Hidrocortisona: solução injetável de 100 e 500 mg; 100 mg, infusão intermitente IV, de 8/8 horas.
- Prednisona: comprimido de 5 e 20 mg; 1 mg/kg/dia, VO, de 24/24 horas, após as refeições.
- Metilprednisolona: solução injetável 500 mg; 1 mg/kg/dia, em bolus IV com concentração máxima de 125 mg/ml, dividido de 6/6 horas.
- Metronidazol: comprimido de 250 e 400 mg; 20 mg/kg/dia, VO, divididos de 8/8 horas, após as refeições.
- Ciprofloxacino: comprimido de 500 mg; 1 comprimido, VO, de 12/12 horas, após as refeições e longe de antiácidos.
- Azatioprina: comprimido de 50 mg; 2,0 a 2,5 mg/kg/dia, VO, de 24/24 horas, após as refeições.
- Metotrexato: solução injetável de 50 mg; Tratamento de indução de remissão: 25 mg/semana, IM, de 7/7 dias. o Tratamento de manutenção de remissão: 12,5 a 25 mg/semana, IM, de 7/7 dias.
- Infliximabe: frasco-ampola com 100 mg; Infusão IV em pelo menos 120 minutos. Tratamento de indução e manutenção de remissão: 5 mg/kg/semana nas semanas 0, 2, 6, e a cada oito semanas após; é possível diminuir o intervalo de administração para infliximabe 5 mg/kg a cada seis ou quatro semanas, a partir da semana 14 de tratamento, se houver resposta parcial ou perda de resposta. Tratamento de DC complicada por fístula perianal complexa: 5 mg/kg/semana nas semanas 0, 2, 6, e a cada oito semanas após; é possível aumentar para 10 mg/kg a cada oito semanas em caso de perda de resposta a partir da semana 22 de tratamento.
- Adalimumabe: seringa pré-preenchida com 40 mg; Injeção subcutânea (SC) no abdome inferior ou coxa. Tratamento de indução e manutenção de remissão e de DC complicada por fístula perianal complexa para adultos e crianças com peso maior ou igual a 40 kg: 160 mg na semana 0, 80 mg na semana 2 e, após, 40 mg a cada duas semanas; é possível diminuir o intervalo de administração para adalimumabe 40 mg semanal, a partir da semana 4 de tratamento, se houver resposta parcial ou perda de resposta. Tratamento de indução e manutenção de remissão e de DC complicada por fístula perianal complexa para crianças com peso menor que 40 kg: 80 mg na semana 0, 40 mg na semana 2 e, após, 10 a 20 mg a cada duas semanas.
- Certolizumabe pegol: seringa pré-preenchida com 200 mg; Injeção SC no abdome inferior ou coxas; administrar cada seringa de 200 mg em sítios distintos. Tratamento de indução e manutenção de remissão: 400 mg nas semanas 0, 2, 4, e a cada quatro semanas após.
- Alopurinol: comprimidos de 100 e 300 mg; 100 mg/dia, VO, 24/24 horas, após as refeições.
Fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/arquivos/2017/doenca-de-crohn-pcdt.pdf
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